Ana Kátia era uma menina muito bonita.Baixa com cintura fina e pernas bem torneadas. Magra.Na verdade um pouco magra de mais.Ainda assim não deixava de ser bonita.
Ana sabia que estava passando por alguns momentos conturbados de sua vida.Mudança de cidade, término com o namorado, morar sozinha.Sabia que estava em um buraco não tão grande, mas um tanto difícil de sair.
Depressão nunca! Dizia ela ao ir se consultar no terapeuta.
Ainda sim, o sono embalava suas tardes e noites.Pensamentos diminutivos estavam crucificando Ana Kátia em seu mundinho de incertezas.
Ela foi levando sua vida assim até que em um dia normal, tomou uma atitude interior de que deveria começar a sair daquele buraco.
Isso a preocupava, pois tinha muito medo do que ia encontrar no caminho para fora dele.
No dia seguinte a essa atitude interior, decidiu que iria se dedicar mais à sua faculdade de administração. E decidiu também fazer algo novo, diferente.
Enquanto pensava nisso, foi para o shopping e comprou roupas novas.Sua amiga Camila que a acompanhava sempre, não pôde ir, mas ela estava realmente disposta a escolher suas roupas sozinha.
Comprou algumas blusas, um vestido curto, uma sandália e uma carteira de mão!
Depois acabou passando no salão de beleza perto de sua casa para mudar o cabelo!
Decidiu cortar seu cabelo de crente na nuca!
Saiu de lá rindo sozinha até chegar em casa, e se enxergar no espelho rindo e chorando ao mesmo tempo, desesperada por essa ultima decisão.
Logo que o susto passou, voltou a pensar no que iria fazer de tão novo em sua vida.
Pensou em fazer natação, mas teve vergonha de entrar na turma iniciante que teriam só criancinhas.Depois pensou em fazer aulas de dança de salão, mas pensou que não teria coragem de dançar com homens que não conhecia.Logo a idéia mais brilhante surgiu em sua mente. “_ Já sei! Vou aprender a tocar bateria!”
Ligou para sua mãe que morava em sua cidade natal e pediu de presente de aniversario uma bateria.
Seu aniversario seria na próxima semana.Mas mal sabia que seria o pior aniversario de sua vida.
Quando os convidados começaram a chegar, Ana ficou feliz da vida.A festa começou.O som estava ligado mas não alto.Suas amigas estavam totalmente perplexas com seu novo visual.E não faltavam elogios à roupa nova e carinhos em seu cabelo.
A festa estava ótima.Cerda de 12 pessoas estavam em sua casa.Carolina tinha avisado a Ana Kátia de que havia convidado sua prima para a festa, já que ela estava de visita em sua casa.Ana não achou ruim e nem lembrava dessa tal prima que por conhecidência era da mesma cidade que a dela.Ana estava na cidade nova para fazer sua faculdade de administração.
Quando a prima de Carol chegou, estava acompanhada de seu namorado.
Carol, mais que rapidamente foi apresentar os dois à Ana.Que engasgou com a azeitona do martine que tomava quando deu de cara com seu ex namorado dentro de sua casa .
Ele havia deixado-a por outra.Outra que agora, era a prima de Carol.
A situação ficou tão constrangedora que Ana deu um “oi” engolindo saliva e virou as costas andando em direção ao seu quarto.
Carol foi atrás de Ana enquando o casal saía do apartamento totalmente desconcertados.
Carolina só se deu conta do que havia acontecido quando sentou-se do lado de Ana para que ela contasse toda história. Só restou à Carol pedir mil desculpas e depois ir embora deixando Ana chorando no quarto.
A festa acabou cedo.Todos consolaram Ana e foram embora por senso!
No dia seguinte quando Ana acordou, se olhou no espelho, abriu a torneira e com suas mãos cheias de água lavou o rosto todo borrado de preto.Havia maquiagem até em suas orelhas.
Logo pensou no que faria se Carol levasse aquilo tão a sério, pois ela era a única amizade fiel que Ana tinha conquistado desde quando começou a faculdade a três meses atrás.Nunca havia mencionado seu ex para Carol,porque achava que o esqueceria mais rápido se não tocasse no assunto.
Funcionou até ele aparecer em seu apartamento.
Ana se deitou novamente e fechou os olhos para sugar até o ultimo momento de sua tristeza e teve prazer em fazer isso.Suspirou. E continuou deitada falando consigo mesma bem baixinho.”_ ....não vou me abalar!Não vou!Estou bem! Estou ótima!Cabelo curto!Estou linda!Vou tocar bateria!”
Enquanto recitava seu livro de auto ajuda interior, a campanhinha tocou.
Ana se levantou, suspirou novamente e deu passos longos do quarto até a sala para abrir a porta.Passos tão longos que se desequilibrava entre eles.Foi uma espécie de de tirar um sarro dela mesma.Enquanto se desequilibrava ria e falava “_Opa!Não vai cair em Ana!rsrsrsrs!”
Quando abriu a porta o entregador disse que havia uma entrega para Ana Kátia, ela ficou muito feliz ao perceber que eram caixas grandes.Sua bateria.Assinou o papel necessário e foi abrir as caixas.Pensou que pelo menos aquilo era bom.Pelo menos ia ter uma coisa boa para se lembrar do seu aniversario.
Foi assim que Ana se descobriu uma ótima cantora como baterista.
Quando Ana foi assistir à primeira aula de bateria, seu professor contou a ela que a batida deveria seguir um ritmo.
Seria bom até saber cantar as músicas para aprender mais rápido.Nas outras aulas, seu professor disse a ela que deveria cantar ao invés de tocar.Já havia mais de um ano que fazia aulas e conseguia tocar pouquíssimas músicas e muito mal todas.
Estava entrando no segundo ano de faculdade e sua amizade com Carol não havia sido abalada. Tiveram uma conversa logo depois do acontecido e Ana lhe contou tudo sobre seu ex. Assim, continuaram amigas.
Ana tinha um colega de classe, Diego,o qual ela adorava conversar.Tinha cabelo crespo,tatuagens sobre o corpo,usava óculos e não era tão bonito.Mas Ana o tinha como um grande amigo.
Certo dia, Diego apresentou-lhe um amigo quando saíram para beber em um bar.Lucas era bonito.Olhos claros.Cabelos claros, tatuagens no corpo e o mais importante, não tão mais alto que Ana.
Ana não se sentiu interessada ao conhecer Lucas.À primeira vista, achou ele metido e muito sarcástico.
O bar tocava música ao vivo.Ana adorava dar suas palhinhas quando já estava levemente sensual.E nesse mesmo dia, lá pelas tantas da madrugada, Ana subiu ao palco, mas dessa vez, não foi cantar e sim, tocar.Bateria.
Continua...