quarta-feira, 19 de maio de 2010

Meu irmão.

Ando lembrando-me de quando éramos mais novos, de nossas trapalhadas, das minhas fantasias que você vestia, do amor incondicional que mesmo sendo muitas vezes mascarado pelo ciúme ou pela disputa da atenção da nossa mãe, era realmente verdadeiro.
Passamos muito tempo de nossas vidas sendo cúmplices um do outro. Nunca deixei de contar nada a você por mais que me pedisse que não queria saber... e com aquele seu ar de irmão tímido de quem tinha mais o que fazer como dormir, por exemplo, dizia"A não Rê, tá tarde já."
Sempre sentei em sua cama para te amolar e contar o que havia acontecido no meu dia. Nos últimos tempos, essas conversas vinham aumentando. E sinto falta de desabafar com você mesmo não obtendo um conselho no final, pois você sempre apaziguava os fatos, pois ainda sem as experiências da vida, mal processava o que eu lhe contava.
Mas mesmo assim, eu contava sempre.
Penso no quanto somos unidos e fortes em família, penso que você está se tornando um homem, e que nos separamos para um bem maior.
Nunca imaginei tantas mudanças em nossas vidas, sempre pensei que você e eu sairíamos de casa pra casar ou estudar como quase todas as famílias, mas não foi assim, o que não é de fato ruim apenas diferente.
As mudanças geram saudades de você e de mamãe.
Mas sinto que tudo isso também vem para um bem maior, pois mesmo com a distância, não perdemos nossa cumplicidade e nosso laço ainda é atado, nossa união ainda existe em nossos corações, somente em carnal é que não.
Estou lendo um livro o qual me recordei muito dos laços familiares e ando sentindo sua falta mais do que qualquer coisa....vi algumas fotos suas agora e não me contive em escrever a saudade que me deu de você. O livro chama-se “O preço de ser diferente.” De: Mônica de Castro.
É um bom livro para entendermos o que realmente se passa em nossa vida cotidiana.
Aí está um trecho dele:

“Quando a sociedade estabeleceu um modelo de normalidade, criou uma guerra antropológica com a natureza humana.
A diversidade natural é real e em torno dela age a funcionalidade da ecologia, que trabalha em favor do progresso de todos.
Cada um de nós é único, com um temperamento original relativo às necessidades essenciais do progresso pessoal e coletivo.
Quem resolve seguir o modelo se ilude bloqueando a expressão de sua alma, criando insegurança, doença, desilusão e sofrimento.
Os iludidos dão mais importância às aparências do que à verdade, a qual prioriza os valores eternos do espírito.
Servos do mundo sofrem o mundo.
Em razão disso, quem assume sua verdade e age de acordo com os valores da Vida, mesmo enfrentando o preconceito e pagando o preço de ser diferente, passa credibilidade, obtém respeito e se realiza.
Porém os escravos do preconceito estão se candidatando no futuro a experimentar as mesmas experiências que criticam, a fim de aprender a conviver com as diferenças.
FRATERNIDADE é o resultado da capacidade de apreciar as diferenças.”
Amo você.

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